O Mundo Fantástico dos Seres Indeterminados


Sereias

Filhas do Rio Aquelôo e da Musa Calíope. Ordinariamente contam-se três: Parténope, Leucósia e Ligéia, nomes gregos que evocam as idéias de candura, de brancura e de harmonia. Outros dão-lhes os nomes de Aglaofone, Telxiepe e Pisinoe, denominações que exprimem a doçura de sua voz e o encanto de suas palavras.
Conta-se que no tempo do rapto de Prosérpina, as sereias foram à terra de Apolo, isto é, à Sicilia e que Ceres, para puni-las de não haverem socorrido sua filha Prosérpina, transformou-as em aves.

Percebam esta história com outra leitura.

Ovídio, diz que as sereias, desoladas com o rapto de Prosérpina, pediram aos deuses que lhes dessem asas para que fossem procurar sua jovem companheira por toda a terra. Habitavam rochedos escarpados sobre as margens do mar, entre a Ilha de Capri e a costa da Itália.

O oráculo predisse às sereias que elas viveriam tanto tempo quanto pudessem deter os navegantes à sua passagem; mas desde que um só passasse sem para sempre ficar preso ao encanto das suas vozes e das suas palavras morreriam. Por isso, essas feiticeiras, sempre em vigília, não deixavam de deter pela sua harmonia todos os que chegavam perto e cometiam a imprudência de escutar os seus cantos. Elas tão bem os encantavam e os seduziam que eles não pensavam mais no seu país, na sua família, em si mesmos; esqueciam de beber e comer, e morriam por falta de alimento. A costa vizinha estava toda branca dos ossos daqueles que assim haviam perecido.
Entretanto, quando os argonautas passaram nas suas paragens, fizeram elas vãos esforços para atraí-los. Orfeu que estava no navio, tomou de sua lira e as encantou a tal ponto que elas emudeceram e atiraram os instrumentos ao mar.
Ulisses foi obrigado a passar com o seu navio diante das sereias, mas advertido por Circe, tapou com cera as orelhas de todos os seus companheiros, e se fez amarrar, de pés e mãos, a um mastro. Além disso, proibiu que o desligassem se, por acaso, ouvindo a voz das Sereias, manifestasse o desejo de parar. Tais precauções não foram inúteis. Ulisses, mal ouviu suas doces palavras e suas promessas sedutoras, apesar do aviso que recebera e da certeza de morrer, deu ordem aos companheiros que o soltassem, o que felizmente eles não fizeram. As sereias, não tendo podido deter Ulisses, precipitaram-se no mar, e as pequenas ilhas rochosas que habitavam, defronte do promontório da Lucárnia, foram chamadas Sirenusas. As sereias são representadas ora com cabeça de mulher e corpo de pássaro, ora com todo o busto feminino e a forma de ave, da cintura até os pés. Nas mãos tem instrumentos: uma empunha uma lira, outra duas flautas, a terceira gaitas campestres ou um rolo de musica, como para cantar. Também pintam-nas com um espelho. Não há nem um autor antigo que nos tenha representado as sereias como mulheres-peixes.
Pausânias conta ainda uma fábula sobre as sereias:”As filhas de Aquelôo, diz ele, encorajadas por Juno, pretenderam a glória de cantar melhor do que as musas, e ousaram fazer-lhes um desafio, mas as musas, tendo-as vencido, arrancaram-lhes as penas das asas, e com elas fizeram coroas”. Com efeito, existem antigos monumentos que representam as musas com uma pena na cabeça. Apesar de temíveis ou perigosas, as sereias não deixaram de participar das honras divinas; tinham um templo perto de Sorrento.