A proteção como cela




Para a criança, o seu mundo está resumido ao pai e mãe, seu paraíso pessoal e perdido. No futuro a tentativa de resgate será através da constituição da própria família. Essa mente infantil não distingue o homem e mulher, porque o seu universo não possui outra percepção. No mundo divino também não há distinção entre homem e mulher, pois deus é uno e assim sendo é tudo. Este mundo primordial possui o ideal de Pai Mitológico ou divino, que promove a vida e da Mãe Mitológica ou terrível, que se opõem a ela. Essas duas concepções espelham o inconsciente como processo vital e será dele que nascerão os conceitos que estruturarão o indivíduo a criar os filtros para a organização da sua existência. Deste ponto é que percebemos a necessidade do canceriano enfrentar as duas figuras para conquistar a própria identidade, pois as duas estão fundidas e em eterna manifestação. Será necessário estabelecer a prioridade em quem enfrentar primeiro e quando. Deverá fazê-lo já no útero? O signo de câncer  é ligado profundamente a Lua, em que terá destaque a questão do emocional e o tanto de esforço para se livrar do julgo materno. Ao longo da história os mitos explicaram esses movimentos. A mãe terrível será contada neste caso como a deusa Hera e os trabalhos de Hércules. Esse evento exemplifica a raiva da matriarca contra a possibilidade de independência e individualidade da sua criatura, de onde se percebe a batalha constante na vida do canceriano. Já a figura do pai está ausente, sendo a mãe o polo de poder, o que impede ele de conseguir aprender o lado masculino. Com relação a canceriana, a mãe competirá com ela, forçando-a a desaparecer figurada ou efetivamente. Afinal, o poder feminino  é seu.